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Vaticano excomunga padre brasileiro de 47 anos, que rejeita punição e mantém missas no DF

Padre brasileiro desafia decisão do Vaticano ao manter celebrações mesmo após exclusão.

por Giovanna Costa
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Padre de óculos lendo livro amarelo com microfone de lapela, prateleiras de livros ao fundo

Vaticano excomunga padre brasileiro Françoá Costa em junho de 2026; sacerdote rejeita punição e mantém missas no DF.

A decisão foi publicada em 2 de junho de 2026 e envolve a ligação do padre de 47 anos com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo declarado em situação de cisma pela Igreja Católica. Mesmo após a medida, Françoá Rodrigues Figueiredo Costa afirmou que seguirá celebrando missas na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia Norte, no Distrito Federal.

O que motivou a excomunhão do padre Françoá?

A excomunhão de Françoá Costa e de demais integrantes ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi consequência da nomeação e consagração de quatro novos bispos pela fraternidade sem autorização da Santa Sé, em maio de 2026. Para o Vaticano, tal nomeação configura uma ruptura com a autoridade e unidade da Igreja, caracterizando ato cismático conforme o Direito Canônico.

Segundo o comunicado do Vaticano, os sacramentos ministrados por sacerdotes da fraternidade passam a ser considerados ilícitos e inválidos, especialmente a confissão e o matrimônio. O termo “cismático” é empregado para quem rompe a comunhão com o papa e a Igreja, conforme orienta o Catecismo Católico.

Como o padre Françoá reagiu à decisão do Vaticano?

Em vídeo publicado em 11 de junho de 2026 nas redes sociais da Capela Santo Atanásio, Françoá rejeitou a excomunhão e alegou que as acusações de cisma são “inválidas” e “nulas”. O sacerdote afirmou que continuará celebrando missas e que a Fraternidade São Pio X permanece em comunhão espiritual com a Igreja, apesar das divergências administrativas.

Ele utilizou argumentos do Direito Canônico, citando o “estado de necessidade”, para justificar a atuação do grupo. Françoá também defendeu a validade dos sacramentos realizados pela fraternidade e frisou que mantém a menção ao papa em todas as missas.

Após o vídeo, a Arquidiocese de Brasília reafirmou que, dentro de seu território, todos os atos ministeriais do padre e da fraternidade são considerados ilícitos desde a excomunhão, acompanhando integralmente as determinações do Vaticano.

Quem é Françoá Rodrigues Figueiredo Costa?

Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, padre brasileiro agora excomungado, nasceu em Anápolis e construiu uma carreira acadêmica sólida: doutor e mestre em Teologia pela Universidade de Navarra (Espanha); bacharel e licenciado em Filosofia; e licenciado em Estudos Eclesiásticos. Atua desde 2012 como professor da Faculdade Católica de Anápolis, onde já ocupou cargos de coordenação e direção.

Na vida religiosa, desempenha papel ativo na Paróquia Senhor Bom Jesus, em Ceilândia Norte (DF), e é ligado à Capela Santo Atanásio, epicentro das missas da fraternidade. Fora do ambiente eclesiástico, Costa já foi homenageado em diversas ocasiões por órgãos públicos de Goiás.

O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e por que há conflito com a Igreja?

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma organização de padres tradicionalistas fundada em 1970. O grupo discorda de mudanças litúrgicas e doutrinárias pós-Vaticano II. O ponto de ruptura central reside na recusa em submeter-se a diretrizes do papa e da Santa Sé, como evidenciado na recente ordenação de bispos sem autorização.

Para o Vaticano, tais atos evidenciam recusa de submissão ao Sumo Pontífice e ruptura da comunhão, o que caracteriza cisma. Já a fraternidade alega agir por “estado de necessidade” diante de ameaças à tradição católica, o que, segundo seus integrantes, justificaria a atuação fora das normas atuais.

A repercussão e os desdobramentos locais

A divulgação da excomunhão gerou forte repercussão no Distrito Federal, especialmente entre fiéis da Capela Santo Atanásio. Muitos manifestaram apoio ao padre nas redes sociais, enquanto outros pediram respeito às normas da Igreja. A Arquidiocese de Brasília se pronunciou oficialmente, alertando que todo ato ministerial da fraternidade é, segundo Roma, considerado ilícito e ineficaz para fins sacramentais.

Françoá informou que deve responder oficialmente à nota da Arquidiocese, mas segue celebrando missas e afirmando reconhecer apenas o magistério tradicional da Igreja como referência.

 Padre de batina verde claro com símbolo de cálice sorrindo dentro de igreja

Françoá diz que irá responder à Arquidiocese, mantendo postura de continuidade. Imagem: Canal O Povo/ You tube.

Formação acadêmica e legado de Françoá Costa

Françoá graduou-se em Filosofia (2001), tornou-se licenciado em Estudos Eclesiásticos em 2004, concluiu mestrado em Teologia (2009) e doutorado em 2011. Desde então, integra o corpo docente da Faculdade Católica de Anápolis, destacando-se também pela pesquisa sobre o teólogo Jean Daniélou.

O sacerdote foi homenageado com titulações e comendas de reconhecimento público, reflexo de sua influência no meio religioso e educacional de Goiás.

O que dizem as autoridades eclesiásticas?

O Vaticano, através do decreto da Santa Sé, determinou a excomunhão para os bispos consagrados pela fraternidade e classificou todos os atos sacramentais do grupo como ilícitos. A Arquidiocese de Brasília reforçou que, enquanto a situação não for revista, nenhuma celebração da Capela Santo Atanásio é reconhecida oficialmente.

O posicionamento da Santa Sé é baseado no direito canônico vigente, especialmente o que rege os casos de cisma e desobediência à autoridade papal.

Consequências práticas para os fiéis do DF

Fiéis da Capela Santo Atanásio tiveram orientações para não buscar sacramentos, especialmente confissão e matrimônio, ministrados pelo grupo enquanto perdurar a situação de cisma. A Arquidiocese orienta procurar paróquias plenamente reconhecidas pela Igreja para validade sacramental e comunhão plena com Roma.

Apesar das orientações, há relatos de continuação da participação nas missas celebradas por Françoá, mostrando divisão e tensão entre tradição e obediência formal à Igreja Católica.

O que pode acontecer a seguir?

O futuro dos padres ligados à Fraternidade São Pio X no Brasil depende de eventual reaproximação com a Santa Sé. Françoá anunciou intenção de responder oficialmente à Arquidiocese, mas segue reafirmando publicamente a continuidade das missas e defesas doutrinárias tradicionais.

Nos próximos meses, projeta-se acompanhamento de perto das celebrações e eventuais tomadas de posição por parte da liderança católica local e do próprio Vaticano.

O caso evidencia o debate sobre tradição versus renovação na Igreja Católica e deve continuar despertando interesse e reflexões entre fiéis e observadores do cenário religioso nacional.

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