A comercialização de andadores infantis está proibida em todo o Brasil desde 2013, por decisão liminar da Justiça, e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) contraindica o uso do equipamento, apontado por especialistas como o produto infantil mais perigoso.
Segundo a SBP, o andador é a principal causa de acidentes com crianças na faixa dos 6 aos 15 meses de idade. A entidade estima que exista pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que utilizam o equipamento.
Por que o risco é tão alto
O aparelho permite que o bebê se desloque com muita rapidez, alcançando até um metro por segundo. Nessa velocidade, o adulto por perto não tem tempo hábil de reagir a um movimento inesperado.
De acordo com a SBP, cerca de um terço das lesões provocadas pelo equipamento são graves, geralmente fraturas e traumas cranianos, com necessidade de internação. Entre os casos mais graves, aproximadamente 80% são quedas de escada.
O andador não ensina a andar
Ao contrário do que muita gente acredita, o equipamento não favorece a marcha. Pediatras explicam que o bebê ainda não tem a musculatura preparada para se manter ereto, e o andador acaba pulando etapas essenciais do desenvolvimento.
Outro ponto destacado é que o para-choque impede a criança de enxergar os próprios pés, o que prejudica a percepção de corpo e espaço. Além disso, ela deixa de sofrer as quedas naturais que ensinam o equilíbrio e as reações de proteção.
O que dizem a lei e os especialistas
A proibição da venda no Brasil veio de uma ação civil pública movida a partir de atuação da SBP. O Canadá baniu o produto em 2007, e entidades de pediatria da Europa e dos Estados Unidos também desaconselham o uso.
Ainda assim, o item continua sendo encontrado em lojas e na internet. A SBP defende a aprovação de um projeto de lei que proíba de forma definitiva a fabricação, a venda e o uso do equipamento.
O que fazer no lugar
A recomendação dos pediatras é permitir que o bebê engatinhe e explore o chão livremente, respeitando o próprio ritmo. Quando o adulto não puder supervisionar em tempo integral, a orientação é usar um cercado com brinquedos.
A proteção do ambiente também é essencial: instalar portões de segurança em escadas, manter portas fechadas e afastar a criança de fogões, piscinas e produtos tóxicos. Informação protege, e o Jornal Mix está aqui para levá-la até você. Compartilhe com quem tem bebê em casa.
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